- Nº 2056 (2013/04/24)
Conferência no Porto a 4 de Maio

Álvaro Cunhal<br> a organização e a luta<br> dos trabalhadores

Em Foco

No próximo dia 4 de Maio, sábado, realiza-se na Fundação Engenheiro António de Almeida, no Porto, entre as 15 e as 18 horas, a Conferência «Álvaro Cunhal, a organização e a luta dos trabalhadores».

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Como revolucionário, Álvaro Cunhal fez uma opção de vida que teve no centro da sua acção a luta constante contra a exploração dos trabalhadores, contra o desemprego, pela melhoria de direitos sociais e laborais para os trabalhadores e para todo o povo. Dedicou grande atenção às questões da organização dos trabalhadores e de um forte movimento sindical unitário, de classe, de massas, democrático e independente. Daí que a participação nesta iniciativa será do interesse de trabalhadores, comunistas e não comunistas, e de membros de sindicatos e Comissões de Trabalhadores.

Álvaro Cunhal afirmava com razão: «Se o Partido que temos é inseparável da sua influência no movimento sindical, também as características do movimento sindical unitário são inseparáveis da influência dos comunistas no seu seio.» Álvaro Cunhal contribuiu de forma decisiva para a definição e concretização da linha política do PCP para a frente sindical que lançou as raízes do actual movimento sindical unitário, tal como hoje o conhecemos.

No III Congresso do Partido, realizado em 1943, apresentou um relatório onde se propunha a acção no interior dos sindicatos nacionais, para ali serem defendidos os direitos e interesses dos trabalhadores. No referido relatório, é possível vislumbrar aquilo a que se pode chamar uma extraordinária visão antecipada do que viria a ser o processo de criação da Intersindical, em 1970, a estrutura orgânica em que assenta hoje a CGTP-IN, quando se propõe a composição de verdadeiras listas de frente única (hoje listas unitárias), a realização de conferências sindicais com sindicalistas antifascistas, com o objectivo da constituição de um forte movimento sindical unificado à escala nacional no sentido da edificação em Portugal de uma verdadeira central sindical; a constituição de comissões de unidade nas fábricas (antecessoras das actuais Comissões de Trabalhadores); a necessidade de se avançar com formas de organização, regionais (embrião das actuais uniões distritais de sindicatos).

O III Congresso do Partido operou, de facto, uma viragem no trabalho sindical do PCP. Os resultados podem ser avaliados pela natureza do actual movimento sindical unitário, cujas raízes mergulham nas decisões de então.

Pensamento incontornável

De resto, não é possível compreender-se a pujança com que o movimento sindical emergiu no 25 de Abril de 1974, nem o papel e a influência que os comunistas nele tinham, e continuam a ter, sem se conhecer estes antecedentes históricos e a atenção contínua que o PCP, ao longo da sua história, sempre deu ao trabalho dos seus militantes nos sindicatos para a defesa das condições de vida e dos direitos dos trabalhadores.

Na Conferência estará presente a abordagem do pensamento e a acção de Álvaro Cunhal sobre a organização e a luta dos trabalhadores e a sua dimensão na actualidade e no futuro. Serão abordadas e estarão em debate questões como a luta de massas, os interesses e direitos dos trabalhadores, a sua organização, a acção e organização nas empresas e locais de trabalho, a natureza de classe, a unidade e independência do movimento sindical unitário.

São aspectos de grande importância em todas as situações e da maior actualidade face à ofensiva de agravamento da exploração, empobrecimento, retrocesso social e declínio nacional, fruto da natureza do capitalismo, da política de direita das últimas décadas, acelerada e aprofundada pelo pacto de agressão.

São igualmente aspectos decisivos e de toda a actualidade na luta pela ruptura com o rumo de desastre nacional, pela defesa dos interesses de classe dos trabalhadores, por uma vida digna, por um caminho de desenvolvimento e progresso social, uma democracia avançada vinculada aos valores de Abril, tendo no horizonte uma sociedade liberta da exploração e da opressão, a sociedade socialista.

A Conferência será dirigida por Joaquim Almeida, membro do CC do PCP, e nela intervirão Arménio Carlos, Secretário-Geral da CGTP-IN, João Torres, coordenador da União dos Sindicatos do Porto, Ana Valente, membro da DORP e do CC, e Francisco Lopes, membro do Secretariado e da Comissão Política. Seguir-se-á um debate e o encerramento ficará a cargo de Jerónimo de Sousa.